Trapos e farrapos
(Ilka Bosse)

A ramagem do silêncio, no frio
Disfarça os sons, até o assobio.
Grade enferrujada enramalhada
Na varanda esquecida, sombria, sem nada.

Na boca das ruelas bocejam sonhos em trapos,
Que já foram sonhos no subúrbio, agora são farrapos.
Brincam crianças no estúpido abandono,
Paupérima “realeza”, braços estendidos, sem dono.

Lágrima escapa ardente pela face triste
Clamando... Amor!
Na incerteza que este alimento existe.
Ronda sombra, foge lânguida memória.
Cavalga vazia...
A esperança de ter apenas um dia de glória.

Dorme-se desacordado ou acordado.
Dorme-se de qualquer jeito, desanimado.
Com o estômago em piruetas, embolando.
Durará esta dor da fome, até quando?

Ergue-se o tecer de alertas a todos os instantes,
Igual lona de circo, nas mãos dos governantes.
Quando desarmada não abriga, nem traz alento.
Realidade desmiolada...
Edificando um cárcere ambíguo,
Sem futuro, sem educação, sem sustendo.
Continuam os sonhos,
A fome, os trapos e farrapos.

Autoria: Ilka Bosse
(Bailarina das Letras)
Livro: "O BAILAR ENTRE LETRAS"
Direitos Autorais Reservados

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