Errante essência
(Robério Pereira Barreto)

A vagar nas ondas vazias da solidão
Este imenso e valente coração
Sente-se ínfimo, tamanha a dor
Que o transforma num simples
Ser a sofrer o dissabor de estar só
Igual ao cactus na areia do deserto,
Onde, egoisticamente vivi as angústias
De não saber se tudo isso é certo.

Na imprecisão sobre qual rumo seguir
E a quem socorro gritar,
Resta-lhe os sinais da vida anuir
Confiando no vento que sopra do mar
Solitário que como ele [coração] grita silencioso
Como que pedindo alguém para lhe sentir
Porém, seu clamor mesmo sendo estrondoso
Segue rumo incerto e dilui-se no ar.

Na imensidão desse deserto,
Este pedido é inaudível, entretanto,
Sabe que há alguém muito perto
Mas, este alguém se nega enxugar seu pranto,
Cuja volatilidade o torna insignificante,
Diante de tanta demonstração de afeto,
Ainda que seja uma ferida aberta, picada do inseto,
Este coração busca em ti bálsamo cicatrizante.

No entanto pressente o fim
Por que tu és na arte de seduzir vivida,
Ainda que lhe clame pelo sopro da existência
Não o terá, pois é deste coração latrocida;
Com tal, conheces o tamanho dessa inocência,
Mesmo que me liberasse desse desatino
Seguir-te-ia ofegante como faz o mar
Ofegante em noite de fria maresia.


16 de janeiro de 2008, 00h,07

Midi: Ernesto Cortazar
betweenthornsandroses

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