Bela Tenda
(Celito Medeiros)


Ah! bela tenda me atenda e mostre
se prostre, estenda o tapete, o jorrete, o pala
me embale, doçura, candura da bala.
Abra a garrafa, aqui está a taça... me faça!
Venha, sonho meu... me adule, encabule, enterneça,
faça nesta prece um só laço, neste paço que não passo,
fico, dedico todo o encanto, fica no canto, aí mesmo!
Ah! bela cigana, abana a cabana, encha de cheiros...
Já estou pronto, esperei este momento,
já não agüento este espaço, amordaço o desejo...
Já sobe a lança, não balança, enrijece!
Chega aqui, doçura... mel que aprovo e provo,
aos poucos, como loucos, num só molejo...
O cheiro dos grandes fios, desafios,
a quentura de teu pescoço, orelha molhada, já salgada!
Peito que acalenta, mama que alimenta,
este faminto devoto, devoro, detenho...
umbigo profundo, forma do mundo, sulco mediano,
fios pequenos, enrolados, enrosquilhados,
roçar macio, gosto de veneno...
Doce abrigo, fogo ardente, não sou clemente,
avanço em tempo, língua à frente!
exploro tudo, assim contudo, tão bom pra gente...
Rodo no eixo, o queixo em volta, apoio inverso,
sinto a quentura, de lábios fortes, cobrindo o mastro...
o corpo enrijece, arrepio constante, frio penetrante
sentir imenso, prolongado espasmo...
corpo que se contorce, feito uma cobra paciente,
a outra uma reta, não segue o movimento, não pode...
vibração do todo, empinando na dança, que balança,
aos poucos cessa, esquenta e amansa!
Volto do giro, então cavalgo pelos prados,
alguns brados, próximo da vitória!
Gemidos constantes, de gata manhosa,
já nem prosa, só o silêncio... primeiro ato...
Traga a taça, sirvo...sou servo, seu amo!

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Celito Medeiros

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